Uma animação divulgada pela televisão estatal do Irã nesta terça-feira (10) ganhou grande repercussão nas redes sociais ao apresentar a visão do governo iraniano sobre o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e o próprio Irã.
Produzido pelo instituto estatal Revayat-e Fath, o vídeo de cerca de dois minutos utiliza animações no estilo Lego para retratar episódios ligados à guerra, incluindo críticas ao presidente norte-americano Donald Trump e ao Primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu.
O vídeo também contém novas acusações de Teerã de que os Estados Unidos seriam responsáveis pela morte de 175 pessoas em uma escola de meninas no sul do país.
A produção faz parte de uma disputa de narrativas entre os países envolvidos, que também vem sendo travada por meio de conteúdos audiovisuais divulgados em canais oficiais na internet.
A guerra entre EUA e Israel contra o Irã já matou mais de 1300 pessoas desde o início dos confrontos, em 28 de fevereiro.
Animação mostra Trump iniciando guerra em cena simbólica
Nas primeiras imagens da animação, Donald Trump aparece incomodado com as polêmicas envolvendo o caso Epstein.
Na cena, ele surge ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e de uma figura representando o Diabo.
Na sequência, Trump pressiona um botão vermelho, gesto que simboliza o início de um conflito.
Logo depois, um míssil atravessa as nuvens e atinge uma sala de aula, onde aparecem meninas usando lenços rosa e uma professora sorridente.
No quadro negro, a frase “Minha pátria é minha vida” aparece escrita.
A cena busca representar o ataque a uma escola no sul do Irã, episódio citado pelo governo iraniano ao atribuir responsabilidade aos Estados Unidos.
Cena com objetos entre escombros simboliza vítimas do ataque
Após a explosão, a animação mostra uma mochila rosa e um par de sapatos infantis entre os escombros. Um oficial iraniano recolhe a mochila e começa a chorar, momento que posteriormente se transforma em expressão de raiva.
A partir desse ponto, o vídeo passa a enumerar supostos ataques iranianos contra alvos norte-americanos em países vizinhos, apresentados como forma de retaliação.
Também são mostradas referências ao impacto no mercado internacional, com destaque para o aumento no preço do petróleo e para o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.
Mensagem final homenageia estudantes mortos
Ao final da animação, aparece a seguinte mensagem exibida em árabe e inglês:
“Em lembrança aos estudantes de Minab que foram martirizados pelas mãos de terroristas sionistas e americanos”.
O vídeo reforça a narrativa do governo iraniano de que o país teria obtido vantagem no conflito até o momento, segundo a versão apresentada na produção.
Conteúdos audiovisuais fazem parte da disputa de narrativas
A divulgação da animação ocorre em meio a uma intensificação da comunicação estratégica entre os governos envolvidos no conflito.
Há cinco dias, o governo norte-americano também divulgou um vídeo com estética inspirada em videogames, que incluía pontuação por mortes e imagens de confrontos, com o objetivo de demonstrar força militar.
A divulgação desse tipo de conteúdo também tem sido fortemente criticada nas redes sociais, onde usuários questionam o uso de produções audiovisuais com tom de propaganda e estética de entretenimento para retratar um conflito real, com milhares de mortes.
Secretário de Guerra dos EUA fala em intensificação dos ataques
Ainda nesta terça-feira (10), o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, comentou a situação durante entrevista à imprensa.
“O Irã está desesperado e em apuros. Está sozinho e perdendo feio, cometeu um grande erro ao atacar seus vizinhos”.
Segundo ele, o momento mais intenso de ataques contra o Irã ainda seria registrado, indicando possível escalada nas operações militares.
Confira o vídeo estilo lego divulgado pela tv estatal iraniana:


