Mais de 5 mil produtos brasileiros terão o imposto de importação zerado na União Europeia assim que entrar em vigor o acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu.
A estimativa faz parte de um levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que analisou os impactos do tratado para o comércio exterior brasileiro.
De acordo com o estudo, 54,3% dos produtos negociados no acordo terão tarifa de importação eliminada imediatamente na União Europeia.
Do lado do Mercosul, no entanto, a abertura será mais gradual, com prazos mais longos para a redução de tarifas aplicadas a produtos europeus.
Segundo a CNI, o acordo cria um novo patamar de inserção internacional para a economia brasileira, especialmente para a indústria.
Atualmente, os acordos preferenciais e de livre comércio dos quais o Brasil participa cobrem cerca de 8% das importações mundiais de bens.
Com a entrada em vigor do tratado com a União Europeia, esse percentual deve saltar para 36%, considerando que o bloco europeu respondeu por 28% do comércio global em 2024.
Para a entidade, a ampliação do acesso representa uma oportunidade estratégica para diversificar mercados, aumentar competitividade e fortalecer a presença da indústria brasileira em cadeias globais de valor.
O levantamento aponta que o Brasil terá prazos entre 10 e 15 anos para reduzir tarifas sobre 44,1% dos produtos, o equivalente a cerca de 4.400 itens.
Segundo a CNI, esse modelo garante:
-
Transição gradual e previsível
-
Tempo para ajustes produtivos
-
Adequação tecnológica da indústria nacional
O desenho do acordo busca proteger setores considerados sensíveis, evitando impactos abruptos na economia brasileira.
Os dados da confederação mostram que a indústria concentra a maior parte do comércio entre Brasil e União Europeia. Em 2024:
-
46,3% das exportações brasileiras ao bloco foram de bens industriais
-
56,6% das importações corresponderam a insumos industriais
-
34,2% das exportações foram insumos industriais
Do lado das importações, 98,4% dos produtos vindos da União Europeia foram bens da indústria de transformação, o que reforça a complementaridade entre as economias.
Em 2024, a União Europeia foi destino de 48,2 bilhões de dólares em exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total exportado, mantendo-se como o segundo principal mercado externo do Brasil.
No mesmo período, o bloco respondeu por 47,2 bilhões de dólares em importações brasileiras, representando 17,9% do total.
As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999 e passaram por longos períodos de paralisação e revisões técnicas.
O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, com efeitos econômicos esperados de forma progressiva após a ratificação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou da cerimônia de assinatura em Assunção, no Paraguai. O Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira, enquanto Lula cumpriu agenda oficial em Brasília.


