Morte de Ali Khamenei desencadeia nova onda de ataques entre EUA, Israel e Irã

Bombardeios atingem Teerã, provocam centenas de mortes e desencadeiam retaliações iranianas contra Israel e bases norte-americanas

Uma ofensiva militar coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, realizada na manhã do último sábado (28), provocou uma rápida escalada de tensões no Oriente Médio.

Horas após os bombardeios, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, havia morrido durante os ataques.

A morte foi confirmada oficialmente pelo governo iraniano. Em comunicado, o Conselho Supremo de Segurança Nacional informou que Khamenei morreu em seu escritório, em Teerã, “enquanto realizava tarefas”.

Imagens de satélite analisadas pela BBC Verify indicaram danos significativos no complexo conhecido como Casa da Liderança, sede do gabinete do aiatolá na capital iraniana.

Escalada militar e retaliação imediata

Após a confirmação da morte de Khamenei, o Irã anunciou novos ataques contra Israel e bases americanas na região. A Guarda Revolucionária Islâmica declarou:

“A operação ofensiva mais devastadora da história das forças armadas da República Islâmica do Irã começará em instantes em direção aos territórios ocupados e às bases terroristas americanas”.

Explosões foram registradas em países que abrigam instalações militares dos EUA, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait.

Em resposta, as Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram que retomaram bombardeios contra alvos ligados ao governo iraniano “no coração de Teerã”.

Segundo comunicado: “Ao longo do último dia, a Força Aérea Israelense realizou ataques em larga escala para estabelecer superioridade aérea e abrir caminho para Teerã”.

Mortes e destruição: mais de 555 pessoas morreram

De acordo com o Crescente Vermelho do Irã, 555 pessoas morreram e ao menos 747 ficaram feridas nos ataques iniciais. A entidade informou que 131 cidades foram atingidas.

A Agência de Notícias da República Islâmica relatou que uma escola primária feminina na cidade de Minab, no sul do país, foi bombardeada.

Segundo autoridades locais, mais de 150 pessoas teriam morrido, muitas meninas. A BBC informou que não conseguiu verificar independentemente esses números devido a restrições à imprensa estrangeira e ao bloqueio quase total da internet no país.

Além do território iraniano, ataques também foram registrados em áreas estratégicas do Golfo Pérsico. Em Dubai, uma explosão em Palm Jumeirah deixou quatro feridos, segundo autoridades locais.

Veja imagens de explosões no Irã:

Ataques - Irã
Foto: Reprodução

Declarações oficiais elevam tensão diplomática

Em pronunciamento, Trump afirmou que Khamenei foi: “uma das pessoas mais perversas da história”.

O presidente norte-americano também declarou que esta seria: “a maior oportunidade que o povo iraniano já teve para recuperar seu país”.

Em outro momento, afirmou que os Estados Unidos irão reduzir a indústria de mísseis iraniana a pó e “aniquilar” sua Marinha. Também declarou:

“Quando terminarmos, tomem o poder. Será de vocês. Esta será provavelmente a única chance que terão por gerações”.

Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que: “um regime terrorista assassino” não deve possuir armas nucleares “que lhe permitam ameaçar toda a humanidade”.

E acrescentou: “Agradeço ao nosso grande amigo, o presidente Donald Trump, por sua liderança histórica”.

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou a ação como uma “agressão militar criminosa” e declarou:

“Neste momento, o povo do Irã orgulha-se de ter feito tudo o que era necessário para evitar a guerra. Agora é tempo de defender a pátria e enfrentar a agressão militar do inimigo.

Assim como estávamos preparados para negociar, estamos ainda mais preparados do que nunca para defender a integridade do Irã. As Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão aos agressores com firmeza”.

Donald Trump
Foto: Shutterstock

Sucessão no comando do Irã

Com a morte de Khamenei, a Assembleia de Peritos deverá indicar um novo líder supremo. Neste domingo (1/3), Alireza Arafi foi nomeado líder supremo interino.

O conselho temporário também conta com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei.

A escolha definitiva caberá à Assembleia de Peritos, composta por 88 clérigos eleitos por voto direto a cada oito anos.

Reação internacional

O governo brasileiro condenou a ofensiva, afirmando que os ataques ocorreram “em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”.

O Itamaraty acrescentou:

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o direito internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”.

Líderes do Reino Unido, França e Alemanha divulgaram nota conjunta defendendo contenção e estabilidade regional.

A China declarou estar “profundamente preocupado com os ataques militares lançados pelos Estados Unidos e Israel” e afirmou que “a soberania, a segurança e a integridade territorial do Irã devem ser respeitadas”.

A Rússia classificou as ações como “imprudentes” e defendeu solução diplomática.

Programa nuclear no centro da crise

O conflito ocorre após semanas de negociações sobre o programa nuclear iraniano. Segundo Trump:

“tentou reconstruir seu programa nuclear e continua desenvolvendo mísseis de longo alcance que agora podem ameaçar nossos bons amigos e aliados na Europa, nossas tropas estacionadas no exterior, e que em breve poderiam atingir o território americano”.

O presidente estadunidense também afirmou:

“Garantiremos que os representantes terroristas do regime não possam mais desestabilizar a região ou o mundo, e que o Irã não obtenha uma arma nuclear.

Este regime aprenderá em breve que ninguém deve desafiar a força e o poder das forças armadas dos Estados Unidos”.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou anteriormente que ataques ocorridos em 2025 causaram danos graves, embora não totais, às instalações nucleares iranianas.

Internet bloqueada e impacto interno

O Irã enfrenta um bloqueio quase total de internet, segundo a organização NetBlocks. Escolas e universidades foram fechadas, enquanto órgãos públicos operam com capacidade reduzida.

Relatos da BBC Persian indicam reações diversas da população, com manifestações de medo e também de apoio à mudança política.

Um iraniano escreveu nas redes sociais:

“Se eu morrer, não se esqueçam de que nós também existimos. Aqueles de nós que se opõem a qualquer ataque militar, aqueles de nós que se tornarão apenas um número nos relatórios de mortos”.

Outro declarou: “Maldita seja a ditadura islâmica que causou esta guerra. Já sofremos três guerras”

Irã - mapa
Foto: Shutterstock

Conflito amplia instabilidade regional

A nova ofensiva marca a segunda operação militar de grande escala contra o Irã em menos de um ano. Em junho de 2025, ataques já haviam atingido instalações nucleares estratégicas.

O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, teve atividades suspensas temporariamente por questões de segurança, segundo a agência estatal Tasnim.

O cenário permanece em rápida evolução, com novas ofensivas e declarações sendo divulgadas ao longo das últimas horas.

Confira:

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