Uma nevasca histórica avança sobre os Estados Unidos desde a última quinta-feira (22), provocando estragos em larga escala, apagões, paralisação do transporte aéreo e transtornos para milhões de pessoas.
O fenômeno foi classificado como histórico pelo Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, não apenas pela intensidade, mas principalmente pela dimensão territorial inédita.
O sistema climático se estende por uma vasta faixa do país, do Sul ao Nordeste, alcançando regiões onde esse tipo de evento é incomum, incluindo áreas que vão do sul do Texas até a Virgínia.
Neve intensa, granizo, chuva congelante e temperaturas perigosamente baixas afetaram cerca de 180 milhões de pessoas, o equivalente a mais da metade da população dos EUA.
Meteorologistas destacaram que a tempestade rompe padrões históricos ao atingir estados do Sul, tradicionalmente fora do mapa das grandes nevascas.
Em partes do Texas, Mississippi, Louisiana e Alabama, moradores registraram neve acumulada, estradas congeladas e interrupções severas, um cenário raro para essas regiões.
Após avançar pelo Sul, o sistema seguiu em direção ao Nordeste. A previsão indicou acúmulo entre 30 e 60 centímetros de neve em cidades como Washington, Nova York e Boston, aumentando o risco de colapso na mobilidade urbana.
A tempestade transformou o domingo (25) em um dos piores dias para viagens aéreas nos Estados Unidos desde a pandemia.
Segundo o site FlightAware, quase 10.300 voos foram cancelados no domingo, após mais de 4.000 cancelamentos no sábado (24).
A empresa de análise Cirium afirmou que o evento representa o maior cancelamento em massa de voos desde a pandemia de covid-19.
Entre os aeroportos mais afetados estão:
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Aeroporto Nacional Ronald Reagan: cerca de 420 voos de partida cancelados
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Dallas–Fort Worth
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Charlotte
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Filadélfia
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Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson, o mais movimentado do país
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JFK e LaGuardia, em Nova York
As companhias aéreas registraram cancelamentos em massa:
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American Airlines: mais de 1.400 voos (46% da malha)
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Delta Air Lines: mais de 1.300
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Southwest Airlines: mais de 1.260
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United Airlines: cerca de 900
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JetBlue: mais de 570 voos, o equivalente a 71% da operação diária
Além da neve e do gelo, o frio extremo derrubou redes elétricas em vários estados. Segundo o PowerOutage.us, mais de 850 mil pessoas estavam sem energia elétrica no fim da manhã de domingo.
Os estados mais afetados incluem:
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Tennessee: cerca de 290 mil sem energia
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Mississippi, Texas e Louisiana: mais de 100 mil cada
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Kentucky, Geórgia, Virgínia e Alabama também registraram falhas significativas
Autoridades alertaram para riscos à saúde, especialmente entre idosos e populações vulneráveis, devido às temperaturas perigosamente baixas e à dificuldade de acesso a aquecimento.
Nevasca histórica nos EUA
Meteorologistas ressaltam que a combinação de frente polar intensa, umidade elevada e deslocamento incomum do sistema reforça o caráter excepcional da tempestade.
O evento reacende debates sobre eventos climáticos extremos, infraestrutura urbana e capacidade de resposta diante de fenômenos cada vez mais imprevisíveis.
Até o momento, não há estimativa oficial de prejuízos econômicos, mas autoridades federais e estaduais já tratam o episódio como um dos mais severos invernos das últimas décadas em extensão territorial.


