Paquistão declara guerra ao Afeganistão e países trocam ataques

Bombardeios atingiram Cabul e Islamabad após meses de tensão na fronteira; países divergem sobre número de mortos

Paquistão e Afeganistão trocaram ataques na madrugada desta sexta-feira (27) após o governo paquistanês ter declarado uma “guerra aberta” ao país vizinho, alegando que sua “paciência chegou ao limite”.

Os dois países trocarem ataques diretos, incluindo bombardeios em áreas estratégicas das capitais Cabul e Islamabad.

Segundo autoridades paquistanesas, o Exército lançou ataques aéreos com mísseis contra Cabul (capital do Afeganistão), Kandahar e Província de Paktia.

De acordo com Islamabad, os alvos eram postos militares e escritórios do Talibã. Kandahar é considerada o principal reduto do grupo e abriga o líder espiritual Haibatullah Akhundzada.

Imagens divulgadas pelas Forças Armadas do Paquistão mostram explosões na capital afegã.

Em resposta, o governo do Talibã afirmou ter usado drones para atingir instalações militares paquistanesas em Islamabad, Nowshera, Jamrud e Abbottabad.

Cabul declarou que a retaliação foi direcionada exclusivamente a alvos militares.

O porta-voz do Exército paquistanês, Ahmed Sharif Chaudhry, afirmou que:

  • 22 alvos militares afegãos foram atingidos

  • 274 autoridades e militantes do Talibã foram mortos

  • 12 soldados paquistaneses morreram

O governo afegão não confirmou os números divulgados por Islamabad.

O Paquistão acusa o Talibã de permitir que militantes armados utilizem o território afegão para lançar ataques contra o país, incluindo integrantes do grupo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP).

O Afeganistão nega as acusações e, por sua vez, acusa o Paquistão de abrigar combatentes do Estado Islâmico.

O atual confronto marca a primeira vez que o Paquistão bombardeia diretamente instalações do Talibã desde que o grupo retomou o poder em 2021.

Diante da escalada, Irã e China se ofereceram para mediar o conflito.

O governo iraniano declarou estar disposto a facilitar o diálogo. A China pediu moderação e um cessar-fogo imediato para evitar mais derramamento de sangue.

Historicamente, o Paquistão foi um dos principais aliados do Talibã desde os anos 1990, como estratégia de influência regional frente à Índia.

A relação começou a se deteriorar após 2021, com:

  • Crescente atuação do TTP

  • Aproximação diplomática do Afeganistão com a Índia

  • Confrontos frequentes na fronteira

O cessar-fogo firmado em outubro foi rompido com a nova escalada militar. A situação segue em desenvolvimento.

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