União Europeia confirma aplicação provisória do acordo com Mercosul

Decisão busca garantir “vantagem do pioneirismo” enquanto tratado aguarda ratificação completa no Parlamento Europeu

A União Europeia confirmou que dará início à aplicação provisória do acordo de livre comércio com o Mercosul, em uma estratégia para assegurar ganhos comerciais imediatos enquanto o tratado avança nas etapas finais de aprovação institucional.

O anúncio foi feito na sexta-feira (27) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após Argentina e Uruguai concluírem seus processos de ratificação.

“A Comissão dará agora seguimento à aplicação provisória”, declarou von der Leyen, ressaltando que o acordo somente será integralmente finalizado após a aprovação do Parlamento Europeu.

Ratificação avança no Mercosul

O acordo UE-Mercosul ganhou impulso na América do Sul. O Uruguai foi o primeiro país do bloco a aprovar o texto, com aval tanto da Câmara quanto do Senado.

Na sequência, a Argentina confirmou a ratificação após aprovação no Senado.

O Brasil também avançou no processo legislativo: a Câmara dos Deputados aprovou o tratado, que agora aguarda análise do Senado.

No Paraguai, os trâmites estão em andamento e devem ser concluídos nos próximos dias.

A aplicação provisória ocorre apesar da resistência de alguns membros europeus, especialmente a França.

Impacto econômico e redução de tarifas

Segundo a Comissão Europeia, o tratado prevê a eliminação de aproximadamente 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, ampliando o acesso a mercados sul-americanos.

Países como Alemanha e Espanha defendem o acordo, argumentando que ele pode compensar perdas comerciais provocadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência europeia da China no fornecimento de minerais estratégicos.

A estratégia é vista como parte de um movimento mais amplo de diversificação de parceiros comerciais e fortalecimento das cadeias de suprimento.

MERCOSUL
Foto: Shutterstock

Resistência interna e questionamentos jurídicos

Apesar do avanço institucional, o acordo enfrenta oposição significativa, liderada pela França, maior produtor agrícola do bloco europeu.

Críticos afirmam que o tratado pode aumentar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais competitivos, impactando negativamente agricultores locais.

Os protestos de produtores rurais intensificaram o debate político dentro da União Europeia.

Paralelamente, o Parlamento Europeu decidiu encaminhar o texto ao Tribunal de Justiça da UE para avaliar sua legalidade. A decisão foi aprovada por margem estreita e pode atrasar a entrada definitiva do acordo em vigor por vários meses.

A Comissão Europeia criticou o envio do tratado à Corte e reiterou a defesa da aplicação provisória, destacando a necessidade de ampliar o acesso a novos mercados enquanto o processo judicial segue em análise.

Cenário político e próximos passos

Enquanto o Tribunal de Justiça examina o texto, procedimento que pode se estender por meses ou até anos, o acordo permanece politicamente sensível dentro da União Europeia.

Mesmo com apoio de países como Alemanha e com o interesse do Brasil em acelerar a ratificação, o tratado segue dependente das decisões institucionais europeias para sua implementação definitiva.

A aplicação provisória representa, assim, uma tentativa de manter o avanço comercial entre os blocos enquanto o debate político e jurídico continua.

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