A Associated Press (AP), uma das mais tradicionais agências de notícias do mundo, vai deixar de publicar resenhas de livros. A decisão foi comunicada aos críticos literários por meio de uma carta enviada pelo editor Anthony McCartney, segundo informações do site ‘Media Nation’, do escritor Dan Kennedy.
De acordo com Kennedy, que teria tido acesso ao documento, o motivo para a interrupção é a baixa audiência desse tipo de conteúdo. A partir de agora, o material relacionado ao universo literário será produzido exclusivamente por jornalistas da própria agência.
“A AP interrompeu a publicação de resenhas literárias por causa da baixa audiência”, informa o texto citado pelo autor.
Leitura em queda: cenário no Brasil
O anúncio acontece em um momento em que o hábito de leitura enfrenta quedas drásticas no mundo todo, inclusive no Brasil. Segundo a pesquisa ‘Retratos da Leitura no Brasil’ (2024), do Instituto Pró-Livro:
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53% da população não leu nem parte de um livro (impresso ou digital) nos três meses anteriores à pesquisa — primeira vez que os não leitores superam os leitores (47%);
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Apenas 27% leram um livro completo no período;
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O país perdeu 6,7 milhões de leitores desde 2019;
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A média anual de leitura é a menor já registrada: 3,96 livros por pessoa;
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46% dos entrevistados apontam a falta de tempo como principal motivo para não ler.

Brasil hiperconectado: mais tempo na internet, menos nos livros
Em contrapartida, o consumo digital segue em alta. O Brasil tem 183 milhões de pessoas conectadas à internet em 2025, com 144 milhões de perfis ativos em redes sociais.
Dados do relatório ‘Digital 2024’, produzido pela ‘We Are Social’ e ‘Meltwater’, mostram que o país ocupa o 2º lugar no mundo em tempo médio diário online: 9h13 por dia, ficando atrás apenas da África do Sul (9h24). Desse total, mais de 3 horas são dedicadas exclusivamente às redes sociais.

Para Marcelo Tripoli, comentarista de inovação da ‘CNN Brasil’, essa característica é parte do perfil do brasileiro:
“O brasileiro sempre foi o povo que mais rápido adota. Quando sai uma tecnologia nova, uma rede social nova, a gente vê aquelas populações que mais adotaram rapidamente”, afirma.
Entre as razões, estão a curiosidade, a facilidade de adoção de novas tecnologias, o custo elevado de atividades culturais e o uso das redes sociais como forma de entretenimento acessível. Além do tempo gasto em deslocamentos nos grandes centros urbanos, que favorece ainda mais o uso de dispositivos móveis.
A decisão da ‘AP’, portanto, reflete uma transformação no consumo de conteúdo cultural global, ao mesmo tempo em que reforça a tendência de migração de atenção para o meio digital… realidade cada vez mais presente no Brasil.


