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Antidepressivos: estudo revela grandes diferenças nos efeitos colaterais

Pesquisa do King’s College London analisou mais de 58 mil pessoas e mostrou que os antidepressivos afetam peso, pressão, colesterol e batimentos de forma distinta, reforçando a importância da prescrição personalizada

Um novo estudo revelou que os efeitos colaterais físicos dos antidepressivos podem variar consideravelmente de um medicamento para outro.

A análise, conduzida por pesquisadores do King’s College de Londres, avaliou dados de 151 ensaios clínicos randomizados envolvendo 58.534 participantes e 30 tipos diferentes de antidepressivos.

Embora esses medicamentos sejam amplamente usados no tratamento de depressão e ansiedade, os cientistas descobriram que eles podem causar efeitos físicos distintos, incluindo mudanças no peso corporal, na pressão arterial e na frequência cardíaca.

 

Diferenças significativas entre os medicamentos

Segundo o estudo, as variações começaram a aparecer após apenas oito semanas de tratamento.

Entre os achados, os pesquisadores observaram que:

  • A agomelatina esteve associada a perda média de 2,5 kg, enquanto a maprotilina levou a ganho de quase 2 kg.

 

  • A fluvoxamina reduziu a frequência cardíaca em cerca de 8 batimentos por minuto, ao passo que a nortriptilina a aumentou em 14 batimentos — uma diferença superior a 20 bpm entre os dois medicamentos.

 

  • A pressão arterial sistólica variou em mais de 11 mmHg entre o uso de doxepina e nortriptilina.

 

  • Alguns antidepressivos, como paroxetina, venlafaxina, desvenlafaxina e duloxetina, foram associados a níveis mais altos de colesterol total. A duloxetina também apresentou elevação nos níveis de glicose.

 

O pesquisador Toby Pillinger, autor principal do estudo, destacou:

“Encontramos diferenças claras e significativas entre os medicamentos, com alguns causando efeitos maiores no peso, frequência cardíaca, níveis de colesterol e pressão arterial. Para as milhões de pessoas que tomam esses medicamentos prescritos, essas diferenças são importantes.”

 

Kings College London
Foto: Reprodução/King’s College London

 

Personalização é essencial no tratamento

Os autores ressaltam que o estudo avaliou apenas o uso de curto prazo (cerca de dois meses), mas que os efeitos físicos podem ser mais intensos em tratamentos prolongados.

Além disso, o trabalho focou em resultados clínicos objetivos, não incluindo efeitos menos mensuráveis, como os colaterais sexuais.

Pillinger explica que o objetivo não é classificar os antidepressivos como “bons” ou “ruins”, mas enfatizar a necessidade de personalizar a prescrição conforme as condições de cada paciente.

“Os dados mostram que os antidepressivos não são intercambiáveis. Para alguém com obesidade, diabetes ou hipertensão, é sensato escolher um medicamento mais neutro nesses aspectos”, afirmou o pesquisador.

 

Ferramenta gratuita auxilia na escolha do antidepressivo ideal

Com base nas descobertas, os cientistas também desenvolveram uma ferramenta gratuita online que ajuda médicos e pacientes a selecionar o antidepressivo mais adequado de acordo com as preferências e preocupações individuais.

A plataforma considera os efeitos colaterais que o paciente deseja evitar e elabora uma tabela personalizada de opções, classificando os medicamentos conforme o perfil desejado.

“Nosso estudo mostra que nem todos os antidepressivos são iguais. Agora temos evidências sólidas de que seus efeitos sobre o peso, a pressão arterial, a frequência cardíaca e o açúcar no sangue diferem de maneiras clinicamente significativas”, concluiu Pillinger.

A pesquisa reforça a importância de decisões médicas compartilhadas entre profissionais e pacientes.

Ao compreender melhor as diferenças entre os antidepressivos, é possível oferecer tratamentos mais seguros, eficazes e personalizados.

Texto baseado em artigo de Toby Pillinger, médico e pesquisador clínico do King’s College Londres. Este conteúdo foi republicado do ‘The Conversation’ sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.

Maysa Vilela

Jornalista, curiosa por natureza e movida por conexões fortes, viagens e boas histórias. Acredita que ouvir é o primeiro passo para escrever com propósito. No Ocorre News, segue conectando pessoas através das palavras.

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