O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou a nomeação de Guilherme Boulos para chefiar a Secretaria-Geral da Presidência da República, em uma movimentação política que mira as eleições de 2026 e busca fortalecer o diálogo com movimentos sociais e trabalhadores informais.
A escolha de Boulos, um dos principais nomes do PSOL, é vista dentro do governo como uma peça estratégica para ampliar a conexão do Planalto com a base popular.
Segundo fontes ligadas à Presidência, Lula enxerga o novo ministro como o articulador ideal para recolocar o governo nas ruas e reconstruir pontes com os setores que historicamente apoiam o PT.
Boulos chega ao cargo com três missões centrais: aproximar o governo da sociedade civil, melhorar a comunicação com os trabalhadores de aplicativos e popularizar o debate sobre o fim da escala 6×1.
A intenção do Planalto é transformar essas pautas em símbolos de uma agenda progressista para o próximo ciclo eleitoral.
Nos bastidores, o movimento também tem caráter eleitoral. O novo ministro passa a integrar uma espécie de núcleo de coordenação política informal de 2026, ao lado de Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social). Ambos ajudaram a costurar a nomeação e têm relação próxima com o deputado.
A chegada de Boulos, no entanto, gera resistência entre partidos de centro, que o enxergam como um nome “radical” e temem que sua presença afaste eleitores moderados. Mesmo assim, Lula apostou no capital político do psolista e em sua capacidade de mobilização popular.
Durante a transição, Boulos deve manter parte da equipe anterior e incluir representantes de diferentes movimentos sociais, entre eles o MTST, o MST e a Frente Povo Sem Medo.
Outro desafio será retomar o projeto de regulamentação do trabalho por aplicativo, que naufragou em 2023 após rejeição de parte da categoria.
O novo texto, articulado por Boulos e por associações de entregadores, propõe uma remuneração mínima e maior transparência nos algoritmos das plataformas.
Para o governo, essa agenda social e trabalhista será um dos trunfos de Lula para disputar o apoio da população nas ruas e nas urnas.


