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Brasileiros fazem barricada contra furacão Melissa em hotel na Jamaica

Tempestade de categoria 5 se aproxima da ilha do Caribe com ventos de até 290 km/h e previsão de inundações catastróficas; país declarou evacuação obrigatória e abriu cerca de 900 abrigos

Brasileiros que estão de férias na Jamaica descreveram um cenário de tensão nesta terça-feira (28) diante da aproximação do furacão Melissa, classificado como um furacão de categoria 5 e apontado por autoridades meteorológicas como a “tempestade do século”.

O fenômeno deve tocar o solo jamaicano ainda nesta terça (28) e seguir, horas depois, em direção a Cuba, com risco de ventos devastadores de 290 km/h, alagamentos e elevação do nível do mar.

Segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, o Melissa é considerado “extremamente perigoso”, com potencial para causar impactos que ameaçam a vida, como inundações repentinas, deslizamentos de terra e maré de tempestade capaz de elevar o nível do mar em até quatro metros em áreas da costa sul da ilha.

Autoridades locais e internacionais afirmam que o país se prepara para danos considerados “catastróficos”.

Brasileiros em hotéis relatam barricadas e confinamento

Turistas brasileiros hospedados em resorts na Jamaica afirmam ter recebido instruções rigorosas de segurança, incluindo a orientação para improvisar barreiras dentro dos quartos.

A contadora Mariana Caserta, de São Paulo, está em Ocho Rios com o marido, os pais e tios. A família chegou ao país no dia 24, deveria ter embarcado de volta na segunda (27), mas agora segue isolada no hotel.

“O hotel está todo fechado. A gente não pode circular por nenhuma área, nada. Estamos com a orientação de ficar dentro do quarto e colocar as camas pra poder fazer uma proteção. Estamos aqui já com a cama posicionada na janela”, disse.

De acordo com Mariana, a administração do hotel determinou que os hóspedes não saiam dos quartos, não abram a porta da varanda e mantenham as janelas protegidas até a passagem do furacão. A recomendação é permanecer em áreas internas e afastadas de superfícies de vidro.

Confira o vídeo de uma das brasileiras que está na Jamaica:

Em outro resort jamaicano, a agente de viagens e nutricionista Karina Okamoto relatou que já é possível perceber a força das rajadas mesmo antes do olho do furacão atingir a ilha. “Já tirou algumas folhas do coqueiro. Então, está forte mesmo”, afirmou.

Karina viajou com o marido, Lívio, para comemorar o aniversário de casamento em um hotel de luxo na ilha.

“Viemos passar o nosso aniversário de casamento nesse resort de luxo aqui na Jamaica e nem imaginávamos que íamos passar pelo que estamos passando.

O furacão Melissa já está aqui bem próximo, ele provavelmente vai chegar aqui”, contou.

Segundo ela, o resort transformou parte da infraestrutura em abrigo coletivo para os hóspedes. “O resort está dando todo o respaldo para a gente em relação à segurança. A gente está tendo que ficar dentro do teatro, que é um local de abrigo”, explicou.

Para viajantes brasileiros, relatos como esses reforçam o clima de alerta e o impacto direto do furacão Melissa no turismo na região do Caribe, especialmente em áreas litorâneas e de grande presença de resorts.

“Tempestade do século”: risco elevado para a Jamaica

Autoridades locais e internacionais tratam o furacão Melissa como um evento histórico.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirmou que esta será a “tempestade do século” na Jamaica e alertou para rajadas que podem superar 300 km/h, acompanhadas de alagamentos súbitos e deslizamentos de terra em diferentes pontos da ilha.

“Uma situação catastrófica é esperada. Para a Jamaica, será com certeza a tempestade do século”, disse Anne-Claire Fontan, especialista em ciclones tropicais da OMM, em coletiva em Genebra.

Meteorologistas classificam o Melissa como um furacão de categoria 5, nível máximo da escala Saffir-Simpson. Nesse patamar, os ventos sustentados ultrapassam 252 km/h e o potencial destrutivo é considerado “catastrófico”, incluindo danos estruturais severos, queda generalizada de árvores e longos períodos sem energia.

O NHC descreve o Melissa como “extremamente perigoso” e alerta para consequências que ameaçam vidas. Além da força do vento, um dos maiores riscos é a maré de tempestade, que pode empurrar o mar para dentro de áreas costeiras e provocar alagamentos súbitos, inclusive em regiões urbanas e hospitalares.

O ministro da Saúde da Jamaica, Christopher Tufton, afirmou que pacientes já foram movidos de áreas térreas para andares superiores em algumas unidades hospitalares, “e (nós) esperamos que isso seja suficiente para qualquer elevação do nível do mar que vier a ocorrer”.

Vento extremo, enchentes e interrupção de serviços essenciais

As autoridades jamaicanas confirmaram que deslizamentos de terra, quedas de árvores e apagões foram registrados antes mesmo do impacto direto do olho do furacão.

Há preocupação com ondas violentas e maré ciclônica de até quatro metros no sul do país, o que pode atingir comunidades costeiras, rodovias litorâneas e áreas próximas a hospitais.

Segundo a Cruz Vermelha, a passagem do Melissa deve ter um “impacto massivo” e pode afetar pelo menos 1,5 milhão de pessoas — o equivalente a metade da população da ilha.

Três mortes já foram registradas na Jamaica em consequência de tempestades associadas ao sistema antes da chegada do núcleo do furacão.

O Melissa já é apontado por meteorologistas como o furacão mais intenso a se aproximar diretamente da Jamaica desde o início dos registros oficiais, há mais de 170 anos. O NHC informou que os ventos chegaram a 290 km/h, com deslocamento lento sobre o Caribe, condição que aumenta o risco de chuva extrema e enchentes prolongadas.

Confira imagens divulgadas nas redes sociais:

Governo ordena evacuação e abre abrigos

Para reduzir o impacto humano, o governo jamaicano declarou ordens de evacuação obrigatória em diferentes regiões, incluindo áreas costeiras vulneráveis e trechos próximos à capital, Kingston. Cerca de 900 abrigos foram preparados para receber moradores que deixaram suas casas.

O primeiro-ministro jamaicano, Andrew Holness, afirmou que a prioridade é a segurança da população e que a recuperação pode ser longa.

“Não existe infraestrutura na região capaz de suportar um furacão de categoria 5. A questão agora é a velocidade de recuperação. Esse é o desafio”, disse.

Ele também fez um apelo para que moradores mantenham a calma e sigam as instruções de emergência. “Eu sei que há muitos jamaicanos que estão ansiosos, que estão muito preocupados, e com razão.

Você deve estar preocupado. Mas a melhor maneira de lidar com a ansiedade e qualquer nervosismo e preocupação é estar preparado.”

De acordo com o serviço meteorológico local, pescadores e pequenas embarcações foram orientados a permanecer em porto seguro até que as condições de vento e mar normalizem.

As autoridades informaram ainda que os principais aeroportos da ilha — incluindo o de Kingston — foram fechados preventivamente. Passageiros foram instruídos a contatar diretamente as companhias aéreas e “NÃO ir ao aeroporto” durante a passagem do furacão.

“Vamos superar isso juntos”, diz agência meteorológica

O diretor principal do serviço meteorológico da Jamaica, Evan Thompson, afirmou nesta terça que equipes locais e internacionais monitoram o deslocamento do Melissa e que as medidas de proteção foram antecipadas. “Vamos superar isso juntos”, declarou.

Necephor Mghendi, representante do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, disse que o cenário humanitário preocupa. “Hoje será muito difícil para dezenas de milhares, se não milhões de pessoas na Jamaica. Telhados serão postos à prova, as enchentes vão subir, e o isolamento se tornará uma dura realidade para muitos”, afirmou.

Para muitas comunidades, especialmente em encostas e vales, o maior temor imediato é a perda de casas e o risco de desabrigados. Colin Bogle, assessor da Mercy Corps que atua próximo a Kingston, relatou que diversas famílias optaram por se abrigar em casa, mesmo após ordens de evacuação.

“Muitos nunca passaram por nada parecido, e a incerteza é assustadora”, disse. “Há um medo profundo de perder casas e meios de subsistência, de se ferir e de ficar deslocado.”

O ministro de Recursos Hídricos e Meio Ambiente da Jamaica, Matthew Samuda, informou que há mais de 50 geradores prontos para serem deslocados após a tempestade, mas pediu uso racional de água potável. Cada gota vai contar”, disse ele.

Furacão Melissa também ameaça Cuba, Haiti e República Dominicana

Depois de cruzar a Jamaica, o furacão Melissa deve seguir rumo ao nordeste, alcançando o leste de Cuba ainda nesta terça (28).

As autoridades cubanas emitiram alertas de furacão para as províncias de Granma, Santiago de Cuba, Guantánamo e Holguín, e alerta de tempestade tropical para Las Tunas.

A previsão inclui chuva intensa que pode chegar a 51 centímetros em algumas áreas, além de maré de tempestade ao longo da costa.

O governo de Cuba informou que mais de 600 mil pessoas estão sendo retiradas preventivamente de áreas costeiras e regiões de risco, entre elas Santiago, a segunda maior cidade do país.

O Melissa já provocou chuvas fortes nas regiões sul do Haiti e da República Dominicana. Segundo balanço regional, a tempestade foi associada a pelo menos sete mortes no Caribe até agora: três na Jamaica, três no Haiti e uma na República Dominicana, além de uma pessoa desaparecida em território dominicano.

A expectativa dos serviços meteorológicos é que, após deixar Cuba, o sistema ganhe velocidade em direção ao nordeste, impactando o sudeste das Bahamas e o arquipélago de Turks e Caicos entre terça à noite e quarta.

Maysa Vilela

Jornalista, curiosa por natureza e movida por conexões fortes, viagens e boas histórias. Acredita que ouvir é o primeiro passo para escrever com propósito. No Ocorre News, segue conectando pessoas através das palavras.

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