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EUA revogam vistos de brasileiros ligados ao ‘Mais Médicos’ em nova retaliação diplomática

Decisão atinge Mozart Sales e Alberto Kleiman, que participaram da criação do programa; governo americano alega envolvimento em “esquema de trabalho forçado” de Cuba

O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (13) a revogação de vistos de dois brasileiros envolvidos na criação do ‘Mais Médicos’: Mozart Julio Tabosa Sales e Alberto Kleiman. A medida foi apresentada como parte de uma série de sanções contra autoridades de países que, segundo Washington, colaboraram com o “esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano”.

Criado em 2013, o programa contou com médicos cubanos até 2018, quando o então presidente eleito Jair Bolsonaro declarou que não aceitaria os termos do acordo firmado com Cuba durante o governo Dilma Rousseff.

Quem são os brasileiros afetados

Mozart Sales ocupa atualmente o cargo de secretário de Atenção Especializada à Saúde no Ministério da Saúde e é apontado como um dos idealizadores do ‘Mais Médicos’. De acordo com seu histórico profissional, ele criou e coordenou a implantação do programa em todo o território nacional durante sua gestão entre 2012 e 2014.

Alberto Kleiman, formado em Direito, é o coordenador-geral para a COP 30, evento climático que ocorrerá em Belém (PA) em novembro. Ele integrou a Assessoria Internacional do Ministério da Saúde e foi diretor de Relações Internacionais da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Veja fotos de Mozart Sales (brasileiro que teve o visto americano revogado), Marco Rúbio (secretário de Estado dos Estados Unidos) e Alberto Kleiman (outro brasileiro que sofreu sanção dos EUA):

Mozart Julio Tabosa Sales - Marco Rúbio - Alberto Kleiman
Fotos: Divulgação/Reprodução/Redes Sociais

Reações no Brasil e nos EUA

O Departamento de Estado americano afirmou que a sanção éuma mensagem inequívoca de que os Estados Unidos promovem a responsabilização daqueles que permitem o esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano”.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reagiu nas redes sociais, destacando que Sales e Kleiman foram duas das pessoas fundamentais para o ‘Mais Médicos’ e acrescentou:

O ‘Mais Médicos’, assim como o PIX, sobreviverá aos ataques injustificáveis de quem quer que seja. O programa salva vidas e é aprovado por quem mais importa: a população brasileira”.

O secretário de Estado americano Marco Rubio declarou que seu país está retomando a política de restrição de vistos relacionada a Cuba”. A ação incluiu também sanções a autoridades cubanas, africanas e de Granada, no Caribe.

No Brasil, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) elogiou publicamente a decisão:Obrigado, Secretário. O mundo livre apoia e sabe do seu trabalho. Ele também agradeceu ao presidente Trump e ao secretário Rubio por meio de sua conta na rede social ‘X’.

Donald Trump
Foto: Reprodução/Instagram

Contexto e impactos

Segundo os EUA, a participação de autoridades brasileiras no ‘Mais Médicos’ teria contribuído para enriquecer o “corrupto regime cubano” e dificultado o acesso da população de Cuba a cuidados médicos essenciais. Além disso, Washington acusou a OPAS de atuar como intermediária para implementar o programa sem cumprir os requisitos constitucionais brasileiros, driblando sanções americanas contra Cuba.

O ‘Mais Médicos’ foi retomado em 2023 pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, priorizando a contratação de profissionais brasileiros. Atualmente, 92,25% dos 24.894 médicos ativos no programa são do Brasil.

A medida dos EUA ocorre em meio a um aumento das tensões diplomáticas com o Brasil, que já incluem tarifas de 50% sobre produtos nacionais e sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Confira algumas reações de internautas no ‘X’:

Maysa Vilela

Jornalista, curiosa por natureza e movida por conexões fortes, viagens e boas histórias. Acredita que ouvir é o primeiro passo para escrever com propósito. No Ocorre News, segue conectando pessoas através das palavras.

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