As autoridades norte-americanas abriram uma investigação após um vídeo gerado por inteligência artificial com Donald Trump e Elon Musk ser exibido nas telas internas do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano (HUD), em Washington.
O vídeo, transmitido na última segunda-feira (24), mostrava Trump ajoelhado e beijando os pés de Musk, acompanhado da legenda: “Vida longa ao verdadeiro rei”. A gravação viralizou nas redes sociais e reacendeu o debate sobre o uso político da IA generativa e os riscos de deepfakes em ambientes governamentais.
De acordo com um porta-voz do HUD, a exibição foi classificada como “uso indevido de recursos públicos”, e as autoridades investigam se o caso foi resultado de um ataque cibernético externo ou de uma sabotagem interna. Nenhum grupo assumiu responsabilidade até o momento.
O episódio ocorreu em meio a tensões dentro do governo, após Elon Musk assumir o recém-criado Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) — nome inspirado em uma de suas criptomoedas favoritas — e implementar cortes drásticos, auditorias e reestruturações administrativas. O vídeo foi interpretado como uma sátira crítica à relação de poder entre Trump e Musk, que tem sido amplamente discutida pela mídia norte-americana.
Coincidentemente, a exibição aconteceu no mesmo dia em que Musk havia determinado que funcionários federais enviassem relatórios detalhando suas atividades por e-mail, uma medida que gerou desconforto e resistência interna.
Após o incidente, o HUD substituiu as transmissões internas por um vídeo mudo de Trump assinando ordens executivas, em uma tentativa de conter a repercussão e restaurar a normalidade.
O Comitê Democrata de Serviços Financeiros ironizou o caso no X (antigo Twitter), escrevendo: “Nem todos os heróis usam capas”. Já especialistas em segurança digital alertaram que o episódio reforça a vulnerabilidade de sistemas governamentais a manipulações visuais e ataques de IA, especialmente em um contexto eleitoral.
O caso é o mais recente de uma série de incidentes envolvendo deepfakes políticos nos Estados Unidos e deve acelerar novas medidas regulatórias sobre o uso de inteligência artificial em órgãos públicos e campanhas eleitorais.


