Após sete anos de silêncio musical, Lily Allen está de volta. A cantora britânica lançou nesta sexta-feira (24) o disco “West End Girl”, seu primeiro desde No Shame (2018).
O álbum foi gravado em apenas 16 dias, no fim de 2024, durante o turbulento processo de separação do ator David Harbour, conhecido por interpretar Jim Hopper em Stranger Things.
O lançamento foi anunciado de surpresa e carrega um tom confessional. Em entrevista à Vogue britânica, Lily contou que decidiu compor o disco para “processar o que estava acontecendo” no casamento.
As faixas abordam temas como infidelidade, mentiras e relacionamentos não monogâmicos, mesclando experiência pessoal e ficção.
“Há coisas que vivi, mas nem tudo é literal. É inspirado no que aconteceu no meu relacionamento”, explicou a cantora, hoje com 40 anos.
O álbum abre com a faixa-título, “West End Girl”, em que Lily descreve a mudança da família para Nova York e o início do distanciamento entre ela e o marido, após aceitar um papel no teatro londrino, o mesmo que lhe rendeu indicação ao prêmio Laurence Olivier de Melhor Atriz.
Em “Sleepwalking”, ela lamenta a falta de intimidade: “Você não vai me amar, nem vai me deixar. Você não me toca, mas ainda é carente.”
Já em “4chan Stan” e “Tennis”, a cantora descreve episódios de desconfiança e traição, confrontando uma suposta amante chamada Madeline.
O tema se intensifica em “Pussy Palace”, quando Lily encontra objetos sexuais e fios de cabelo femininos na casa do casal: “Eu estou olhando para um viciado em sexo?” Em “Just Enough”, ela questiona se o ex teria engravidado outra mulher.
O disco termina com “Dignity”, uma reflexão sobre o luto amoroso e a tentativa de manter a sobriedade. Lily, que superou o vício em drogas e álcool há seis anos, canta: “Mentir para as crianças e dizer que a separação foi mútua. Eu vou carregar toda a dor.”
Com produção crua e letras intensas, “West End Girl” confirma Lily Allen como uma das vozes mais autênticas do pop britânico, capaz de transformar dor em narrativa e ironia em arte.


