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“Luta por Justiça” chega à Netflix e revela história real comovente

Drama jurídico baseado em fatos reais evidencia o impacto do racismo no sistema de justiça dos EUA e volta a ganhar atenção do público

O drama jurídico “Luta por Justiça”, lançado em 2020, acaba de entrar para o catálogo da Netflix e tem chamado a atenção dos fãs de histórias baseadas em fatos reais.

Estrelado por Michael B. Jordan e Jamie Foxx, o filme acompanha um dos casos mais marcantes da carreira do advogado Bryan Stevenson, que dedicou sua vida a defender pessoas condenadas injustamente no corredor da morte no Alabama, Estados Unidos.

Com uma abordagem sensível e acessível, a produção se destaca por explorar temas como racismo estrutural, falhas judiciais e direitos civis, reforçando sua relevância mesmo anos após o lançamento.

Enredo: um jovem advogado contra um sistema falho

Em “Luta por Justiça”, Bryan Stevenson (interpretado por Michael B. Jordan), recém-formado em Harvard, decide abrir mão de oportunidades lucrativas e mudar-se para o Alabama.

Seu objetivo é oferecer assistência jurídica gratuita a presos condenados, especialmente aqueles que nunca tiveram acesso a uma defesa adequada.

Ao iniciar seu trabalho, ele se depara com o caso de Walter McMillian (Jamie Foxx), um homem negro acusado injustamente de homicídio e sentenciado à morte sem provas consistentes.

A trama mostra como Stevenson enfrenta preconceitos locais, resistência de autoridades e inúmeras barreiras legais para tentar reverter a condenação.

Por que assistir “Luta por Justiça”?

Com atuações marcantes, narrativa envolvente e forte impacto emocional, o filme reforça discussões sobre igualdade, racismo e direitos civis.

A obra se tornou referência para quem busca filmes baseados em histórias reais e aborda questões essenciais sobre o sistema penal americano.

Agora disponível na Netflix, o longa volta ao radar de quem aprecia produções inspiradoras e socialmente relevantes.

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Foto: Reprodução

⚠️ Contém spoilers

“Luta por Justiça”: a história real por trás do filme

Baseado em uma história verdadeira, o longa acompanha a trajetória de Walter McMillian, preso injustamente por assassinato, e o trabalho incansável do jovem advogado Bryan Stevenson para reverter sua sentença.

A própria sinopse oficial destaca:

“Luta por Justiça é baseado na história real do advogado Bryan Stevenson (Jordan), que luta para defender prisioneiros condenados injustamente no corredor da morte. Um de seus casos mais notórios é o de Walter McMillian (Foxx)… O filme é uma história emocionante sobre coragem, racismo e a busca por igualdade diante da lei”.

A obra é inspirada no livro de memórias escrito por Stevenson, publicado em 2014 e lançado no Brasil com o título: “Compaixão: Uma História de Justiça e Redenção”.

A obra aborda explicitamente o racismo sistêmico no sistema de justiça criminal dos Estados Unidos.

A história real de Walter McMillian

Inocente condenado

Walter McMillian nasceu no Condado de Monroe, Alabama, em 1941. Em meio ao legado das Leis Jim Crow, que ainda influenciavam o sul dos EUA mesmo após terem sido derrubadas, ele conseguiu prosperar com um pequeno negócio de celulose e era respeitado em sua comunidade.

Sua reputação, porém, foi abalada após um relacionamento com Karen Kelly, uma mulher branca e casada. Kelly, mais tarde, se envolveu com Ralph Myers, um homem com histórico de envolvimento com drogas.

Tudo mudou em 1º de novembro de 1986, quando a jovem Ronda Morrison, de 18 anos, foi encontrada morta em Monroeville. A comunidade clamava por respostas, e a polícia sofria pressão por não encontrar o autor do crime.

Quando Myers foi preso por outro assassinato, o xerife Tom Tate tentou conectá-lo ao caso de Ronda. Sob pressão, Myers apontou McMillian como cúmplice, apesar de não haver qualquer evidência contra ele.

Mesmo sem antecedentes criminais, Walter foi preso e enviado diretamente ao corredor da morte da prisão de Holman — medida incomum para acusados ainda não julgados.

No tribunal, as inconsistências eram claras: Myers afirmou que McMillian o havia escolhido “aleatoriamente”como cúmplice, embora ambos jamais tivessem se visto antes.

Dias antes do julgamento, Myers chegou a confessar que havia mentido, mas as autoridades ignoraram sua retratação.

Durante o processo, o xerife chegou a dizer:

“Eu não dou a mínima para o que você diz ou o que faz. Eu não dou a mínima o que o seu povo diz também.

Vou colocar doze pessoas em um júri que acharão seu maldito rabo preto culpado”.

Apesar de dezenas de testemunhas confirmarem que Walter McMillian estava em um evento da igreja no momento do crime, ele foi condenado à prisão perpétua.

Um mês depois, o juiz Robert E. Lee Key aumentou a pena para morte por eletrocussão.

Veja abaixo fotos de Walter-McMillian e seu advogado, Bryan-Stevenson:

Walter-McMillian-e-Bryan-Stevenson
Fotos: Equal Justice Initiative

A busca pela verdade

Recém-formado em Harvard, Bryan Stevenson soube da condenação e decidiu assumir o caso. Durante meses, seus pedidos por um novo julgamento foram negados, e o juiz chegou a encorajá-lo a desistir.

Tudo mudou quatro anos depois, quando Myers entrou em contato com Stevenson:

“Acho que você precisa vir me ver”, disse o acusado. “Tenho algo que preciso te contar”.

Myers admitiu que mentiu por pressão policial, afirmando ter sido ameaçado com pena de morte caso não testemunhasse contra McMillian. Mesmo assim, a Suprema Corte rejeitou a petição inicial da defesa.

Somente quando Stevenson encontrou provas de coerção de testemunhas, gravações adulteradas e relatos comprados é que o caso ganhou força.

Depois de seis anos no corredor da morte, Walter McMillian foi oficialmente declarado inocente em 1993.

Maysa Vilela

Jornalista, curiosa por natureza e movida por conexões fortes, viagens e boas histórias. Acredita que ouvir é o primeiro passo para escrever com propósito. No Ocorre News, segue conectando pessoas através das palavras.

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