A Nvidia atingiu nesta quarta-feira (29) um marco histórico ao se tornar a primeira empresa do mundo a alcançar US$ 5 trilhões (cerca de R$ 28,5 trilhões na cotação atual do dólar) em valor de mercado.
O feito reflete a transformação da companhia, que começou desenvolvendo chips gráficos e hoje é considerada a coluna vertebral da indústria global de inteligência artificial (IA).
A valorização ocorre em meio à crescente demanda por tecnologia de IA, impulsionada desde o lançamento do ChatGPT, em 2022. Desde então, as ações da Nvidia se multiplicaram por 12 vezes, consolidando seu papel de destaque na corrida tecnológica global.
De designer de chips a potência global de IA
Fundada em 1993 por Jensen Huang, ex-lavador de pratos que se tornou um dos ícones do Vale do Silício, a Nvidia passou de uma desenvolvedora de chips gráficos a líder mundial em hardware para IA.
Com sede em Santa Clara, Califórnia, a empresa viu suas ações subirem 4,6% após uma série de anúncios estratégicos que reforçaram sua liderança no mercado.
Entre eles, estão encomendas de chips de IA avaliadas em US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,85 trilhões na cotação atual do dólar) e o plano de construção de sete supercomputadores para o governo dos Estados Unidos.
O marco dos US$ 5 trilhões foi alcançado apenas três meses após a Nvidia ultrapassar os US$ 4 trilhões, superando até o valor total do mercado global de criptomoedas.
CEO Jensen Huang entra no top 10 dos bilionários
A ascensão meteórica da Nvidia também fez crescer a fortuna de seu fundador. Segundo a ‘Reuters’, a participação de Jensen Huang na empresa agora vale cerca de US$ 179,2 bilhões (cerca de R$ 1,02 trilhão segundo a cotação atual do dólar), colocando-o em 8º lugar na lista dos bilionários da ‘Forbes’.
Nascido em Taiwan e radicado nos Estados Unidos desde os nove anos, Huang lidera a empresa desde sua fundação.
Sob sua gestão, os chips H100 e Blackwell tornaram-se fundamentais para o funcionamento de modelos avançados de IA, como o ChatGPT e o xAI, de Elon Musk.
Veja uma foto de Jensen Huang, fundador da Nvidia:

Rivalidade entre EUA e China aquece disputa por chips
A tecnologia da Nvidia também está no centro das tensões entre Estados Unidos e China. O governo americano impôs restrições à exportação de chips, buscando limitar o acesso chinês à tecnologia de IA.
Na conferência de desenvolvedores realizada na terça-feira (28), Huang abordou o tema e elogiou as políticas “América Primeiro” de Donald Trump, que, segundo ele, incentivam o investimento em inovação dentro do país.
No entanto, o executivo alertou que “deixar a China fora do ecossistema da Nvidia pode dificultar o acesso a metade dos desenvolvedores de IA do planeta”.
Trump deve se reunir nesta quinta-feira (30) com o presidente chinês Xi Jinping para discutir o chip Blackwell, da Nvidia, que se tornou um ponto sensível nas relações entre as duas potências.
Mercado em alerta para possível bolha tecnológica
Apesar do entusiasmo dos investidores, analistas alertam para os riscos de uma supervalorização no setor de tecnologia.
“A expansão atual da IA depende de alguns poucos players financiando a capacidade uns dos outros. Quando os investidores começarem a exigir retornos, alguns desses mecanismos de crescimento podem entrar em colapso”, disse Matthew Tuttle, CEO da Tuttle Capital Management, à ‘Reuters’.
Ainda assim, o crescimento da Nvidia é visto como reflexo da confiança do mercado nos investimentos em inteligência artificial, área em que empresas como Apple e Microsoft também vêm alcançando recordes de valorização.
O futuro da Nvidia
Mesmo com a concorrência de gigantes como AMD e novas startups, a Nvidia mantém sua posição como principal referência em chips de IA.
Com projetos ambiciosos, liderança consolidada e demanda crescente por processamento avançado, a empresa parece pronta para continuar ditando o ritmo da revolução da inteligência artificial.


