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Pinterest amplia uso de IA e desagrada usuários que buscam conteúdo autêntico

Plataforma aposta em inteligência artificial para impulsionar compras, mas cresce a frustração de usuários que denunciam excesso de imagens irreais e perda da essência criativa

O Pinterest tem enfrentado um volume crescente de críticas de seus usuários mais fiéis devido à presença cada vez maior de imagens geradas por inteligência artificial, tendência que vem transformando a plataforma e provocando preocupação entre criadores e consumidores de conteúdo.

Segundo matéria divulgada pela CNN Brasil, a jovem Abigail Wendling, 23, relatou sua frustração após encontrar um “gato de um olho só” ao buscar por um simples wallpaper.

Em outra pesquisa, uma receita saudável exibiu uma imagem incomum, com “um pedaço de frango cozido com temperos salpicados em seu interior” — ambas criadas por sistemas de IA generativa.

Pressão por inovação e avanço da IA

O crescimento desse tipo de conteúdo ocorre em meio à corrida tecnológica acelerada desde o lançamento do Sora, ferramenta de geração de vídeos do ChatGPT, em 2024.

Assim como outras plataformas, o Pinterest passou a lidar com uma enxurrada de conteúdos artificiais.

Segundo usuários ouvidos pela CNN, muitos se sentem ignorados enquanto a empresa concentra esforços no desenvolvimento de experiências baseadas em IA.

“Isso me faz querer largar o celular e fazer outra coisa”, afirmou Wendling. “Agora preciso examinar tudo com uma lupa.”

Amber Thurman, 41, também relatou incômodo com o cenário: “Quero ver arte que um ser humano dedicou tempo e esforço para criar, não algo regurgitado por alguém que digitou algumas palavras em um gerador de imagens.”

Estratégia do Pinterest: IA como motor do novo modelo de negócios

Desde 2022, o CEO Bill Ready vem conduzindo a transformação da plataforma, que passou de vitrine de ideias para um “assistente de compras visual alimentado por IA”.

A mudança acompanha empresas como Google, Amazon e OpenAI, que buscam remodelar a experiência de consumo digital.

Com 600 milhões de usuários ativos mensais — metade da geração Z — e receita trimestral de US$ 1 bilhão, o Pinterest investe pesadamente em algoritmos capazes de identificar produtos e direcionar sugestões de compras.

A empresa vem ampliando recursos como um assistente de compras conversacional, descrito como “um melhor amigo” que guia o usuário na jornada de consumo.

Ferramentas de controle e rotulagem

Em resposta às críticas, o Pinterest lançou recentemente um “ajustador” de conteúdo de IA, que permite ao usuário controlar quanto deseja ver desse tipo de publicação.

A plataforma também foi uma das primeiras a rotular imagens geradas artificialmente.

“Embora muitas pessoas gostem do conteúdo gerado por IA, sabemos que algumas querem ver menos”, disse um porta-voz ao afirmar que a prioridade é oferecer conteúdo “de alta qualidade e inspirador”, independentemente de sua origem.

Ainda assim, parte da comunidade considera as medidas insuficientes.

“Não existe uma capacidade precisa para nenhuma plataforma detectar 100% do que é gerado por IA”, reconheceu Ready.

Frustração com a perda de autenticidade

Para muitos usuários antigos, o Pinterest já não se parece com o aplicativo em que se inscreveram anos atrás.

Antes visto como refúgio criativo — longe das dinâmicas aceleradas do TikTok ou das disputas do Facebook —, o site agora é descrito como mais comercial e menos inspirador.

A diretora criativa Hailey Cole, 31, afirma que passou a usar plataformas alternativas:

“Eu ouvi o CEO dizer (que o Pinterest é um aplicativo de compras); não sei de onde ele tirou isso…”, comentou, em entrevista à CNN. Ela também demonstrou preocupação com possíveis violações de propriedade intelectual relacionadas à IA.

Wendling, por sua vez, diz temer pela autenticidade do que encontra. Mesmo quando vê um produto de que gosta, prefere buscar outro site para comprar.

IA deve se tornar parte inseparável da plataforma

Especialistas ouvidos pela CNN apontam que o uso de IA deve continuar crescendo, mesmo com resistência de parte dos usuários. Para eles, empresas buscam métricas de curto prazo enquanto correm o risco de prejudicar a confiança a longo prazo.

Segundo o CEO Bill Ready, a IA seguirá trajetória semelhante ao Photoshop:

“Quase todo conteúdo que você vê terá sido, no mínimo, editado por IA de alguma forma.”

A professora Casey Fiesler observa que muitos posts gerados por IA redirecionam para sites externos repletos de anúncios, em busca de lucro com marketing de afiliados — tendência que pode afetar a sensação de autenticidade.

O que os usuários podem fazer?

Fiesler explica que, em redes movidas por algoritmos, até ações como comentar ou compartilhar posts de IA podem sinalizar interesse e aumentar a exposição a esse tipo de conteúdo.

Dessa forma, a alfabetização midiática torna-se essencial, já que os usuários precisam reconhecer sinais de conteúdo artificial e de baixa qualidade.

Migração para outras plataformas

Diante da mudança de perfil do Pinterest, parte dos usuários afirma que está reduzindo o tempo de uso. Alguns procuram alternativas como o Cosmos, enquanto outros voltam a ambientes mais antigos, como Tumblr.

“Elas costumavam ver muito conteúdo criado por humanos que as inspirava, e agora é apenas muito conteúdo não-humano”, concluiu Fiesler.

Maysa Vilela

Jornalista, curiosa por natureza e movida por conexões fortes, viagens e boas histórias. Acredita que ouvir é o primeiro passo para escrever com propósito. No Ocorre News, segue conectando pessoas através das palavras.

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