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Por que o autismo e o TDAH parecem estar aumentando? Entenda!

Os diagnósticos cresceram, mas, segundo especialistas, isso não é uma epidemia — é resultado de melhor diagnóstico, mais informação e empatia

Nas últimas décadas, os números de diagnósticos de autismo e TDAH cresceram de forma expressiva, o que faz muitas pessoas se perguntarem se há uma “epidemia” desses transtornos.

Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, o autismo era identificado em uma entre 10 mil crianças nas décadas de 1970 e 1980.

Em 1995, passou para uma em cada mil. Nos anos 2000, um caso a cada 500. Em 2018, um em 59. Dois anos depois, um em 54. E, em 2022, a estimativa chegou a um em cada 44.

Apesar da escalada impressionante, a ciência é categórica: não há aumento real na incidência, e sim na capacidade de diagnóstico.

Diagnósticos mais amplos e precisos

O principal fator por trás desses números é a evolução dos critérios médicos.

O conceito de Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi reformulado ao longo das últimas décadas. Antes, o diagnóstico era restrito a quadros graves — crianças com grande dificuldade de fala, interação social ou comportamentos repetitivos intensos.

Hoje, o termo “espectro” abrange desde casos severos até formas mais leves, nas quais a pessoa leva uma vida independente, mas enfrenta desafios de comunicação ou sensibilidade sensorial.

Com o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), ocorreu algo semelhante.

Aquilo que antes era visto como simples distração ou agitação passou a ser entendido como uma condição neurológica com base genética e padrões cerebrais específicos.

Essas mudanças, aliadas à capacitação profissional, à disseminação de informações e ao engajamento das famílias, ampliaram o reconhecimento e a busca por diagnóstico.

“Não é moda: é conhecimento e empatia”, dizem especialistas

De acordo com Lúcia Helena, jornalista e colunista de saúde do portal ‘Uol’, com o aumento dos diagnósticos, também cresceram as dúvidas e desconfianças.

Há quem veja o fenômeno como um exagero ou “moda”. Mas, segundo especialistas, “um diagnóstico não é rótulo, é ferramenta de cuidado”.

Ele orienta tratamentos personalizados, adaptações escolares e ações de inclusão social, promovendo compreensão e acolhimento.

Ainda de acordo com médicos, ignorar ou minimizar esses transtornos pode intensificar o sofrimento das pessoas afetadas. “O autismo e o TDAH sempre existiram. O que mudou foi o olhar sobre eles.”

Atenção aos sinais faz toda a diferença

Hoje, pais e cuidadores estão mais atentos aos primeiros sinais.

O bebê que evita contato visual, não responde ao nome, repete gestos ou se incomoda com mudanças de rotina pode estar demonstrando sinais de autismo.

Especialistas alertam que reconhecer e investigar precocemente é essencial, já que quanto mais cedo o diagnóstico, melhores as chances de intervenção eficaz.

O aumento dos casos registrados de autismo e TDAH não significa que esses transtornos estejam se tornando mais comuns, mas que a sociedade aprendeu a identificá-los com mais clareza.

Mais do que uma tendência, esse movimento representa avanço em empatia, inclusão e ciência, dizem os especialistas.

Maysa Vilela

Jornalista, curiosa por natureza e movida por conexões fortes, viagens e boas histórias. Acredita que ouvir é o primeiro passo para escrever com propósito. No Ocorre News, segue conectando pessoas através das palavras.

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