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Quadrilha usava nome do ‘PCC’ para extorquir vítimas na internet

Grupo tirava dinheiro de homens que buscavam prostitutas em sites; Investigação aponta arrecadação de mais de R$ 15 milhões em golpes virtuais em diversos estados

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta terça-feira (2), a ‘Operação Black Widow’, que resultou no cumprimento de 10 mandados de prisão e 10 de busca e apreensão contra integrantes de uma organização criminosa baseada em Montes Claros (MG).

O grupo é acusado de aplicar golpes de extorsão online, utilizando o nome do Primeiro Comando da Capital (PCC) para intimidar vítimas. Somente neste ano, no Distrito Federal, já foram registradas 80 vítimas e um prejuízo estimado em R$ 300 mil.

Segundo a PCDF, nos últimos cinco anos, as perdas apenas na capital ultrapassaram R$ 1 milhão. Em todo o Brasil, a quadrilha teria arrecadado mais de R$ 15 milhões, com atuação também em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Piauí.

Como funcionava o esquema

De acordo com investigações da 18ª Delegacia de Polícia de Brazlândia, que duraram seis meses, a fraude começava de maneira aparentemente inocente. Vítimas acessavam sites de acompanhantes, prostitutas ou relacionamentos e entravam em contato com falsas prestadoras de serviço.

Logo em seguida, outros integrantes do grupo enviavam mensagens contendo dados pessoais sigilosos, como endereço, local de trabalho e nomes de familiares. Essas informações eram obtidas por meio de invasões virtuais.

A cobrança inicial era feita sob o pretexto de “tempo da acompanhante”, mesmo sem que o encontro tivesse ocorrido. Quando havia resistência, os criminosos passavam a exigir o chamado “valor da facção”, se apresentando como membros do PCC.

Em áudios e vídeos, os suspeitos apareciam armados, citando locais frequentados pelas vítimas e ameaçando familiares. A estratégia de terror psicológico fazia com que muitos pagassem os valores para garantir sua segurança.

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Foto: engin akyurt/Unsplash

Estrutura profissionalizada

Segundo a polícia, a organização criminosa atuava como uma célula descentralizada, modelo herdado das antigas “centrais do golpe”. Montes Claros já era conhecido como um dos principais polos de formação desse tipo de quadrilha, sendo alvo frequente de operações policiais em diferentes estados.

Os presos ocupavam funções estratégicas, como liderança, logística, suporte financeiro e contato direto com vítimas.

Para movimentar o dinheiro ilícito, o grupo utilizava uma rede de contas bancárias e chaves Pix espalhadas pelo país, dificultando o rastreamento.

Números alarmantes

  • 250 vítimas apenas no Distrito Federal;

  • Mais de R$ 1 milhão de prejuízo em cinco anos no DF;

  • 80 vítimas em 2025 só no DF, com arrecadação de R$ 300 mil;

  • R$ 15 milhões movimentados em todo o Brasil.

A investigação continua para identificar outros possíveis envolvidos e recuperar os valores desviados.

Maysa Vilela

Jornalista, curiosa por natureza e movida por conexões fortes, viagens e boas histórias. Acredita que ouvir é o primeiro passo para escrever com propósito. No Ocorre News, segue conectando pessoas através das palavras.

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