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Rei Charles III e papa Leão XIV rezam juntos em marco histórico

Em gesto inédito desde o cisma anglicano há 500 anos, líder britânico e pontífice rezam juntos na Capela Sistina e reforçam mensagem de unidade cristã e preservação ambiental

O rei Charles III protagonizou, nesta quinta-feira (23), um momento histórico ao se reunir com o papa Leão XIV no Vaticano.

Pela primeira vez desde a ruptura entre as Igrejas Católica e Anglicana, há cerca de 500 anos, um monarca britânico e um papa rezaram juntos na Capela Sistina, em uma cerimônia ecumênica marcada pela mensagem de união e cuidado com o meio ambiente.

O rei, que é governador supremo da Igreja Anglicana, chegou ao Vaticano acompanhado da rainha Camilla. A celebração começou pouco depois das 7h (horário de Brasília) e foi considerada “um momento histórico nas relações entre anglicanos e católicos”, segundo nota oficial da Santa Sé.

O Palácio de Buckingham também destacou que a ocasião “marca um importante passo nas relações entre a Igreja Católica e a Anglicana”.

Ruptura religiosa e reconciliação simbólica

A Igreja Anglicana surgiu em 1534, após o rei Henrique VIII romper com Roma devido à recusa do papa em anular seu casamento com Catarina de Aragão.

Desde então, as duas igrejas seguiram caminhos distintos, embora o diálogo ecumênico tenha se intensificado nas últimas décadas.

O professor William Gibson, da Universidade Oxford Brookes, destacou a relevância do evento: “É um evento histórico”, afirmou à AFP. Ele lembrou que, entre 1536 e 1914, “não houve relações diplomáticas oficiais entre o Reino Unido e a Santa Sé”.

O Reino Unido só reabriu uma embaixada no Vaticano em 1982.

Cerimônia na Capela Sistina e homenagem mútua

Durante a cerimônia, corais das capelas Sistina e de São Jorge de Windsor uniram suas vozes em um ofício religioso que mesclou tradições católicas e anglicanas. O tema central foi a proteção da natureza, uma das principais bandeiras de Charles III.

O rei também recebeu o título de “Confrade Real” na Basílica de São Paulo Extramuros, enquanto o papa Leão XIV foi nomeado “Confrade Papal da Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor”, em sinal de comunhão espiritual entre as duas instituições.

Confira:

Contexto político e familiar

A visita ocorre em meio a um momento delicado para a família real britânica. O irmão do monarca, príncipe Andrew, voltou a ser mencionado nas memórias póstumas de Virginia Giuffre, principal acusadora no caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein.

Após a divulgação de trechos do livro, Andrew renunciou ao título de duque de York, sob pressão de Charles III. O príncipe, afastado dos deveres reais desde 2019, enfrenta novas repercussões do escândalo.

Paralelamente, o rei de 76 anos segue em tratamento contra um câncer diagnosticado no início de 2024.

Jubileu e continuidade do diálogo

Durante a visita, Charles III e Leão XIV também celebraram o Ano do Jubileu, tradicional Ano Santo da Igreja Católica, que ocorre a cada 25 anos e atrai milhões de peregrinos ao Vaticano.

O encontro representa um novo capítulo no diálogo inter-religioso e reforça o esforço mútuo de aproximação entre católicos e anglicanos, meio milênio após a separação que mudou a história do cristianismo.

Maysa Vilela

Jornalista, curiosa por natureza e movida por conexões fortes, viagens e boas histórias. Acredita que ouvir é o primeiro passo para escrever com propósito. No Ocorre News, segue conectando pessoas através das palavras.

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