Entre as inúmeras curvas que compõem os 24 circuitos da Fórmula 1, poucas são tão lendárias quanto o “S do Senna”, localizado no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.
O trecho foi inaugurado em 1º de fevereiro de 1990, como parte de uma grande reforma no circuito — rebatizado de Autódromo José Carlos Pace — e se tornou um símbolo do automobilismo mundial.
A revitalização foi idealizada pela então prefeita Luiza Erundina, com o objetivo de trazer o Grande Prêmio do Brasil de volta a São Paulo, após anos sendo disputado no Rio de Janeiro.
Como nasceu o “S do Senna”
Durante o processo de reformulação do traçado, o administrador da categoria na época, Bernie Ecclestone, queria eliminar as curvas 1 e 2 de Interlagos por questões de segurança.
Foi então que Ayrton Senna apresentou uma alternativa: criar uma sequência em formato de “S”, conectando a antiga Curva 1 à Curva do Sol, aproveitando o declive natural da pista.
A proposta foi aprovada pela organização da Fórmula 1, mas o resultado final não agradou totalmente ao tricampeão.
Segundo Senna, “Não é nada disso. Eu queria um trecho de alta velocidade em que você viesse no final da reta dos boxes, em sexta marcha, fizesse o trecho em quarta marcha, alguma coisa parecida com o que tem no México, usando o declive. Não era chegar aqui e parar”, declarou ele em entrevista reproduzida no livro ‘Ayrton, o herói revelado’, de Ernesto Rodrigues.

O novo traçado e as homenagens
Mesmo com as críticas, a obra foi concluída, e o circuito passou a ter 4,3 km de extensão, atendendo às exigências de segurança da FIA. No entanto, Senna hesitou em aceitar que a curva levasse seu nome.
“Seria muito mais justo batizá-lo de ‘S’ ou Curva do Chico Landi (morto em 1989), que abriu as fronteiras do automobilismo mundial para o Brasil e sempre teve muito amor por Interlagos”, afirmou o piloto.
Apesar disso, o nome “S do Senna” prevaleceu — e o próprio Ayrton acabou colaborando com ajustes técnicos no traçado, sugerindo modificações nas zebras e muros.
A reestreia do circuito e o legado
A corrida de reinauguração do autódromo aconteceu em 25 de março de 1990, com Senna largando na pole position pela McLaren.
Embora tenha terminado em terceiro lugar, atrás de seu rival Alain Prost, o brasileiro encerraria aquele ano com o bicampeonato mundial.
Desde então, o “S do Senna” se consolidou como símbolo do talento e da ousadia do piloto, além de um dos trechos mais desafiadores e reconhecidos do calendário da Fórmula 1.


