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Trump e Xi firmam trégua e prometem reverter tarifas entre China e EUA

Acordo prevê redução de tarifas, retomada da compra de soja americana e suspensão de restrições às exportações de terras-raras

Após anos de tensão e sucessivas tentativas fracassadas de reconciliação, China e Estados Unidos chegaram a um novo entendimento que promete aliviar a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

O presidente americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping selaram uma trégua de um ano, que inclui cortes de tarifas e a suspensão de medidas retaliatórias adotadas desde 2018.

Redução de tarifas e fim de restrições

No primeiro encontro presencial desde 2019, realizado em Busan, na Coreia do Sul, nesta na quinta-feira (30) durante a cúpula da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), Trump e Xi acertaram reduzir tarifas sobre produtos chineses de 57% para 47%.

Em contrapartida, Pequim suspenderá as restrições à exportação de terras-raras, minerais essenciais para indústrias de alta tecnologia e defesa.

A China também retomará as compras de soja americana, estimadas em 12 milhões de toneladas em 2025 e mais 25 milhões anuais pelos próximos três anos, medida comemorada por produtores dos Estados Unidos.

Dois temas sensíveis, porém, ficaram fora do acordo: a venda da operação do TikTok nos EUA e o acesso chinês ao superchip Blackwell, da Nvidia.

Compromissos de cada lado

Entre as concessões chinesas estão:

  • Suspensão de controles sobre exportações de terras-raras;

  • Fim de taxas portuárias especiais aplicadas a navios americanos;

  • Retomada da compra de soja em grandes volumes.

Já os Estados Unidos se comprometeram a:

  • Reduzir tarifas médias sobre importações chinesas;

  • Cortar de 20% para 10% a tarifa sobre produtos ligados ao fentanil;

  • Retirar ameaças de novas taxações de até 100%;

  • Suspender taxas portuárias a navios chineses;

  • Suspender restrições comerciais com subsidiárias de empresas chinesas por um ano.

“Reunião foi um 12”

Durante o encontro, Trump descreveu Xi como um “negociador muito duro”, enquanto o líder chinês afirmou que ambos “devem ser parceiros e amigos” e podem “assumir conjuntamente sua responsabilidade como países importantes”.

Em entrevista a bordo do Air Force One, Trump celebrou o resultado: “Em uma escala de zero a dez, sendo dez o melhor, diria que a reunião foi um 12.”

O republicano acrescentou: “Tudo relacionado aos elementos de terras-raras foi resolvido.”

O acordo ainda será formalizado por escrito. Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a assinatura pode ocorrer já na próxima semana.

Impactos econômicos e reação dos mercados

A trégua trouxe alívio, mas também incertezas. Wall Street reagiu com queda nos principais índices, refletindo dúvidas sobre novos cortes de juros nos EUA e o aumento dos gastos das big techs com inteligência artificial.

No Brasil, o dólar subiu 0,42%, a R$ 5,38, enquanto o Ibovespa avançou 0,1%, aos 148.780 pontos.

No mercado de commodities, a notícia impulsionou a soja: o contrato de 5 mil bushels em Chicago alcançou US$ 1.090, o maior valor em mais de um ano.

Repercussões para o Brasil

Embora a China volte a comprar volumes expressivos de soja americana, analistas avaliam que o Brasil não deve sofrer grandes perdas.

Segundo Larissa Wachholz, do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), o cenário tende a ser equilibrado:

“Ao anunciar a retomada das compras, se a China volta aos níveis anteriores, não há perda expressiva para o Brasil. Tradicionalmente, Brasil e EUA dividem esse market share.”

Relatório da XP aponta que o acordo pode sustentar os preços no curto prazo, mas o excedente global de soja segue confortável com a safra recorde da América do Sul.

“Fazendeiros felizes”

Nas redes sociais, Trump comemorou dizendo: Nossos fazendeiros ficarão muito felizes!”. O presidente norte-americano ainda acrescentou: “Gostaria de agradecer ao presidente Xi!”

O republicano afirmou que o acordo “será renovado anualmente” e pode “durar muito tempo”.

Confira imagens da reunião entre os líderes da China e dos EUA:

Maysa Vilela

Jornalista, curiosa por natureza e movida por conexões fortes, viagens e boas histórias. Acredita que ouvir é o primeiro passo para escrever com propósito. No Ocorre News, segue conectando pessoas através das palavras.

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