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Trump zera tarifa de 40% e libera bilhões em exportações brasileiras aos EUA

Medida, anunciada após conversa com Lula, remove sobretaxas para mais de 240 produtos e beneficia exportações brasileiras avaliadas em R$ 26 bi

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (20) a retirada da tarifa de importação de 40% aplicada desde julho a uma série de produtos agrícolas brasileiros.

A decisão, confirmada em nova ordem executiva, beneficia itens como café, carne bovina, frutas tropicais, cacau, sucos, especiarias e madeira.

Segundo o documento divulgado pela Casa Branca, a medida foi tomada após uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as questões identificadas no Decreto Executivo 14.323”.

As negociações seguem em andamento, e o governo dos EUA também levou em conta recomendações de autoridades que acompanham a situação relacionada ao estado de emergência declarado anteriormente.

Produtos deixam de ser taxados

A nova ordem diz que determinadas importações agrícolas brasileiras não estarão mais sujeitas ao adicional de 40%, em razão de “progresso inicial nas negociações com o Governo do Brasil”. O anexo oficial apresenta a lista completa dos itens isentos.

Trump escreveu no decreto que “certos produtos agrícolas não estarão sujeitos à alíquota adicional” e que as mudanças são “necessárias e apropriadas” para lidar com a emergência declarada anteriormente.

Fim das sobretaxas vale desde 13 de novembro

A revogação das tarifas começou a valer em 13 de novembro, alinhada ao decreto global de 14 de novembro que suspendeu tarifas “recíprocas” aplicadas a diversos países.

No caso brasileiro, as sobretaxas de 50% impostas durante o chamado “tarifaço” também foram zeradas, com possibilidade de reembolso para cargas taxadas após a data de remoção.

A medida também reverte o decreto de julho que justificava as cobranças ao citar uma “emergência nacional” relacionada a supostas ações do governo brasileiro que afetariam empresas e interesses dos EUA.

Conversa com Lula e cenário interno pesam na decisão

O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou que sua decisão leva em consideração a conversa com Lula em outubro, bem como “recomendações adicionais” de sua equipe e fatores ligados à demanda interna e inflação nos Estados Unidos.

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Foto: Lucas Sallum/Unsplash

Reação do setor produtivo brasileiro

A retirada das tarifas foi recebida com otimismo por setores diretamente afetados.

Café

O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, classificou a medida como “presente de Natal antecipado”, afirmando que o mercado brasileiro vinha perdendo espaço para países como Colômbia e Vietnã.

“Agora é correr para reconquistar espaços nos blends e reduzir os impactos econômicos”, afirmou em entrevista à imprensa.

Carne bovina

A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) avaliou a reversão como reforço à estabilidade do comércio internacional, destacando que a decisão “mantém condições equilibradas para todos os países envolvidos”.

Indústria

Para a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a ordem executiva representa “avanço concreto” na agenda bilateral.

O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que a retirada da tarifa é compatível com o papel do Brasil como parceiro comercial dos EUA.

O presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Flávio Roscoe, destacou a importância da diplomacia: “As negociações são o meio mais eficaz para reequilibrar o ambiente de negócios”, disse.

Comércio exterior

A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio) ressaltou que a decisão terá “efeito imediato” e representa “resultado concreto do diálogo em alto nível”.

Governo brasileiro comemora retomada do fluxo comercial

Autoridades brasileiras também reagiram positivamente.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que “as coisas vieram para a normalidade” após o diálogo entre os presidentes.

Já o secretário de Comércio Exterior do ministério, Luis Rua, celebrou a notícia:

“Decisão muito importante para cadeias produtivas como café, carne bovina, frutas, água de coco, algumas madeiras, castanhas”.

Setor de pescados fica de fora das isenções

Apesar do avanço, o segmento de pescados não foi incluído na lista. O presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescado), Eduardo Lobo, demonstrou frustração:

“Estamos obviamente felizes pelos setores que avançaram, mas frustrados por não vermos evolução e priorização do pescado pelo governo brasileiro”.

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Foto: Aaron Burden/Unsplash

Impacto econômico: R$ 26 bilhões em exportações beneficiadas

A retirada das tarifas beneficia exportações avaliadas em quase US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 26 bilhões), o equivalente a cerca de 10% da pauta brasileira para os EUA.

O Nordeste é uma das regiões mais favorecidas, com produtos como manga, coco, açaí e abacaxi entre os contemplados.

Entretanto, parte da indústria ainda enfrenta tarifas aplicadas pelos EUA.

Pressão por isenção total continua

O Itamaraty informou que o Brasil seguirá negociando para eliminar as tarifas sobre todo o comércio bilateral:

“O Brasil seguirá mantendo negociações com os EUA com vistas à retirada das tarifas adicionais sobre o restante da pauta de comércio bilateral”.

Em 2024, os EUA representaram 12%das exportações brasileiras — cerca de US$ 40,3 bilhões (cerca de R$ 214,6 bilhões).

Embora o gesto seja atribuído oficialmente às negociações, membros do governo avaliam que o motivo central pode ser a tentativa de Trump de enfrentar questões domésticas como inflação e abastecimento nos EUA.

Balança comercial favorece os EUA

Apesar das discussões, os números mostram que os EUA vêm ampliando seu superávit comercial com o Brasil desde o início do tarifaço:

  • Saldo positivo de US$ 1,4 bilhão (R$ 7,42 bilhões) no 1º trimestre

  • US$ 2,8 bilhões (R$ 14,92 bilhões) no 2º trimestre

  • Déficit brasileiro subiu de US$ 490 milhões (R$ 2,61 bilhões) (julho) para US$ 1,2 bilhão (R$ 6,40 bilhões) (agosto)

Entre janeiro e agosto, o superávit americano chegou a US$ 6 bilhões (R$ 32 bilhões), tornando o Brasil um dos países mais vantajosos para os EUA, atrás apenas de Reino Unido, Holanda e Hong Kong.

Maysa Vilela

Jornalista, curiosa por natureza e movida por conexões fortes, viagens e boas histórias. Acredita que ouvir é o primeiro passo para escrever com propósito. No Ocorre News, segue conectando pessoas através das palavras.

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